Uma chuva pré anunciada molham os telhados, as arvores, o asfalto quente que nos rodeia.
Antes mesmo de sair na rua, a mesma chuva que mal caia já me inundava por dentro. São como as lágrimas esquecidas, adiadas, mas inevitaveis de acontecer. O dia foi tempestivo desde que pisei os pés na rua onde havia sol, os pensamentos voltados para todas as prioridades essas sim inadiáveis, ensaiando palavras algo que nunca funcionou comigo, porque no fim eu falo o que quero, e as vezes o que não quero também, meu repertorio nas mãos, uma esperança de um escape pensei: chegarei em casa, e na musica esquecerei dessas bobagens, minhas folhas nas mãos em uma pasta infelizmente de papel com o timbrado da minha prisão, eis que me dei conta que não tinha guarda chuvas, e pensei: me guardar de que? Não esperei nem minutos, misturei-me a chuva que caia um pouco mais forte, fui caminhando em disparado por um caminho mais longo de proposito, quando a chuva lavava minha alma, me dei conta dos meus papéis com aquelas letras lindas que mais tarde me cobriria toda estavam derrentendo, comecei a sentir frio também, e depois a me sentir uma estupida por mais uma vez eu demonstrar que não adianta nada, que eu sempre vou agir assim andando na chuva e destruindo aquilo que pode me salvar da minha própria loucura.
segunda-feira, 12 de março de 2012
quarta-feira, 7 de março de 2012
Minha Vida é uma Mentira!
Geralmente esses choques acontecem muito cedo na vida de muitos jovens, e no meu caso aconteceu agora que sou adulta, talvez porque quando acontecia minha mãe me poupava, e também agradeço por ter acontecido agora que me considero forte para enfrentar isso, apesar da revolta, da surpresa, de ter desmoronado tudo que eu acreditava, eu encontrei todas as respostas para minhas duvidas que pareciam eternas. Desde cedo minha mãe me dizia porque meu pai me negava tanto amor, era um casamento fracassado com dois filhos no qual ele sempre teve uma certa preferência, das bebedeiras, da ausência total, onde só contava com minha mãe, em todas as ocasiões, ele sempre foi negligente na minha educação em geral, tanto financeiramente quanto na participação de atividades, a presença da minha mãe nesses aspectos era tão forte que mesmo chateada não me considero uma pessoa traumatizada, vazia como muitos são. Eu procurei entender que sou a filha rejeitada e ponto, não vou morrer por isso. Mas, hoje em dia vejo que não foi apenas eu quem perdi, esse desprezo dele foi além de mim, e isso afeta outra pessoa que mais me importa nessa historia toda, minha MÃE. Que sempre disse por alto sobre seu casamento que considerava fracassado, sem amor, enfatizando que aquele era seu destino e que o sacrifício era por todas nós. Até que cresci e as coisas ficaram muito claras, mais ausência, mais ignorância, mais bebidas, mais desapego, até que minha mãe se depara com a maior humilhação que poderia considerar: uma mulher da rua entrando porta a dentro da nossa casa para cobrar o dinheiro pelas noites de sexo que teve com ela, depois de noites sem adormecer preocupadas com suas noites fora de casa, eu realmente subestimei sua capacidade de fazer algo que por tempos se tornou o pior dos fins familiares, eu me sentia a salvo da destruição do lar mas, minha família nunca foi uma família, e já estava destruída há muito tempo.
Foi um rio que passou...
RODRIGO – “Ana, minha querida… Dizem que o amor acaba, que o amor termina; mas não é verdade: nada acaba, tudo dura, continua… E se transforma… Enquanto eu aguardava aquela cirurgia, mil anos se passaram… As duas estavam lá dentro e eu pensava: se acontecer alguma coisa com elas, eu morro, e… Quando a gente morre, dizem que passa um filme da nossa vida na nossa cabeça e, por isso, eu vi… Vi vocês duas, meninas, chegando na nossa casa… Vi nós três juntos, ainda pequenos, em tantos e tantos momentos… Vi você erguendo taças, troféus; tua imagem na revista, inacessível, distante da criança que eu era, e que você também… Depois a nossa fuga de casa… E o nosso medo, e a nossa coragem… E o salto sem rede que, tantas vezes, se chama amor… Vi você voltando e, no fundo dos seus olhos, como um rio, tudo o que a gente não tinha vivido… A partir daí, eu me vi dividido, entre dois amores, entre duas vidas: uma, que eu estava vivendo; e outra, que eu jamais tinha podido viver… E durante os meus piores momentos, enquanto eu aguardava naquela sala… Como se a doença da nossa filha me tivesse curado; eu entendi que não havia mais divisão nenhuma: o que tinha sido vivido; o que tinha ficado pra trás… tudo era parte de uma mesma história, de uma mesma vida, e de um mesmo sentimento… Amor… E foi, então, que eu vi: nós dois, juntos, cruzando a fronteira…”
ANA –”Como se eu tivesse alcançado a outra margem de um rio… O rio onde a gente se amou pela primeira vez; o rio do meu acidente… Mas sempre um rio… E porque, naquele momento, eu precisava ser forte – finalmente, e sem escapes – eu consegui atravessar aquele rio eterno; como se, num instante, eu tivesse vivido todos os anos que ainda estavam parados em mim, me esperando… Do outro lado da fronteira que, sem perceber, nós já tínhamos cruzado: uma infância compartilhada, uma adolescência truncada, uma juventude não vivida… Do lado de cá, dois adultos maduros, finalmente libertos daquele fardo pesado, feito de lembranças e sonhos antigos… Porque há sonhos novos do lado de cá da fronteira… E agora podemos viver.”
terça-feira, 6 de março de 2012
Lembro-me bem que desde criança eu escrevo, hoje em dia as pessoas se separam de alguma forma, sempre havia algo que me separava das pessoas. Eu tinha diários, e lembro que tinha uma amiga de infância que a gente trocava cartinhas, o pai dela trabalhava em uma obra na minha casa e todos os dias eu fazia um desenho e escrevia: ele levava as minhas e me trazia as dela. E quando a gente se via pessoalmente não tinha quase assunto, a gente se abraçava e sorria uma para outra, nosso silencio fazia parte de um código porque nossos segredos eram revelados somente naquelas cartas. Escrever é mágico porque nos aproxima de nós mesmos e de quem a gente gostaria de estar perto mesmo estando longe, hoje em dia não a vejo mais, teve um domingo que eu chegava da igreja e a vi de longe, nos olhamos meio sem jeito a amizade não desenvolveu na adolescência e nem agora mas, ela me traz uma coisa boa, porque o que ficou foi aquela ternura.
Fim de Semana *.*
Assinar:
Postagens (Atom)




























